Ação Prática·8 min de leitura

Como Contestar Juros Abusivos no Banco: Passo a Passo

Publicado em 08 de maio de 2025

Descobrir que você pode estar pagando juros abusivos é o primeiro passo. O segundo — e mais importante — é fazer algo a respeito. Muitas pessoas ficam paralisadas por não saber por onde começar, ou acreditam que contestar o banco é algo reservado apenas a quem pode pagar um advogado.

A boa notícia é que existe um caminho claro, com etapas que você pode seguir por conta própria, sem gastar nada nas fases iniciais. O direito de revisar contratos bancários abusivos está garantido pelo Código de Defesa do Consumidor e pela jurisprudência dos tribunais brasileiros.

Atenção: o Art. 27 do CDC estabelece um prazo prescricional de 5 anos para ações de reparação de danos nas relações de consumo. Isso significa que você tem um prazo para agir — e quanto mais tempo passa, menos você pode recuperar. Se você suspeita de abuso em um contrato recente ou em um que está ativo, não espere.

O prazo para entrar com ação por juros abusivos em contratos bancários é de 5 anos a partir do momento em que o dano ocorreu (CDC, Art. 27). Para contratos ainda ativos, o prazo conta a partir do término do contrato.

Passo 1: Calcule e documente (antes de qualquer coisa)

  • Reúna o contrato original assinado, incluindo todos os anexos e adendos.

  • Obtenha o extrato completo de pagamentos realizados — peça ao banco se não tiver.

  • Se o contrato ainda está ativo, solicite o demonstrativo de saldo devedor atualizado.

  • Use uma ferramenta de auditoria — como o AuditCredito em auditcredito.com.br/auditoria — para calcular a taxa efetiva do seu contrato e compará-la com a média do Banco Central para aquela modalidade e período.

  • Guarde tudo em PDF, com data. Esse material será a base de qualquer reclamação ou ação futura.

Passo 2: Contate o banco por escrito (ouvidoria)

Antes de acionar qualquer órgão externo, você deve dar ao banco a oportunidade de resolver a situação. Mas faça isso de forma documentada. Não basta ligar e conversar — você precisa de registro escrito do que foi solicitado e da resposta recebida.

Envie um e-mail ou carta para a Ouvidoria do banco (todas as instituições financeiras são obrigadas por regulação do Banco Central a ter uma ouvidoria). Na comunicação, descreva sua solicitação de forma clara: informe o número do contrato, o período em questão, a taxa que está sendo cobrada, a taxa média do BCB para aquela modalidade, e solicite a revisão das condições ou a devolução dos valores pagos a maior.

A ouvidoria tem prazo regulatório para responder: 10 dias úteis para a maioria das reclamações, podendo ser prorrogado para até 15 dias em casos mais complexos. Guarde o protocolo de atendimento. Se a resposta for negativa ou insatisfatória, é hora de partir para o próximo passo.

Passo 3: Consumidor.gov.br

O consumidor.gov.br é uma plataforma pública gratuita do governo federal que permite registrar reclamações contra empresas, incluindo bancos e financeiras. As empresas cadastradas são obrigadas a responder em até 10 dias úteis.

A taxa de resolução de reclamações nessa plataforma costuma ser positiva para os consumidores em casos fundamentados. Ao registrar sua reclamação, seja específico: informe o número do contrato, as taxas cobradas, a comparação com a média do BCB e o que você está solicitando (revisão, devolução, renegociação).

Anexe todos os documentos que você reuniu no Passo 1 e a resposta (ou ausência de resposta) da ouvidoria do banco. Uma reclamação bem documentada no consumidor.gov.br tem muito mais chance de resultado positivo.

Passo 4: PROCON

Se a resposta no consumidor.gov.br não for satisfatória, o próximo passo é o PROCON. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor existe em todos os estados e em muitos municípios, e tem poder para aplicar multas e sanções administrativas aos bancos.

Muitos PROCONs aceitam reclamações online — verifique o site do PROCON do seu estado. O atendimento presencial também é uma opção. O PROCON é gratuito para o consumidor. Leve toda a documentação: contrato, extratos, correspondência com a ouvidoria e o registro da reclamação no consumidor.gov.br.

O PROCON não tem poder para forçar o banco a devolver dinheiro — ele aplica multas administrativas. Mas a abertura de um processo no PROCON frequentemente leva os bancos a oferecerem acordos extrajudiciais vantajosos para o consumidor.

Passo 5: Ação judicial (Juizado Especial Cível ou advogado)

Se todas as etapas anteriores não resolverem, a via judicial é o caminho para obter efetivamente a devolução dos valores pagos a maior e a revisão do contrato. Aqui você tem duas opções principais.

Para causas de até 20 salários mínimos, você pode entrar com ação no Juizado Especial Cível (JEC) — popularmente chamado de 'pequenas causas' — sem precisar de advogado. O processo é mais simples e rápido do que a Justiça comum. Leve toda a documentação organizada, especialmente o laudo de auditoria comparando sua taxa com a média do BCB.

Para causas de valor maior ou mais complexas, procure um advogado especializado em direito bancário ou do consumidor. Muitos trabalham com honorários de êxito — ou seja, só cobram se ganhar — especialmente em casos de juros abusivos, onde a jurisprudência é favorável ao consumidor.

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Perguntas frequentes

Preciso de advogado para contestar juros abusivos?

Não necessariamente. Nas fases administrativas (ouvidoria, consumidor.gov.br, PROCON), você pode agir sozinho. No Juizado Especial Cível, para causas de até 20 salários mínimos, também é possível sem advogado. Para valores maiores ou se quiser representação, procure um advogado de direito do consumidor ou bancário.

Quanto tempo leva para resolver uma contestação de juros abusivos?

Depende do caminho escolhido. Na ouvidoria: até 15 dias. No consumidor.gov.br: até 10 dias úteis. No PROCON: semanas a meses. No Juizado Especial Cível: geralmente 6 a 18 meses. Na Justiça comum: pode levar anos. Por isso, comece pelos canais administrativos antes de ir ao Judiciário.

Se eu ganhar a ação, o banco devolve o dinheiro de que forma?

O juiz pode determinar a devolução do valor pago a maior em forma de depósito em conta, abatimento de dívida remanescente ou compensação com parcelas futuras, dependendo da situação de cada contrato. Em contratos já quitados, a devolução tende a ser em dinheiro, corrigida monetariamente.

O banco pode me fechar conta ou recusar crédito se eu reclamar?

Não legalmente. Nenhum banco pode encerrar uma conta ou negar crédito em retaliação ao exercício de direitos do consumidor. Isso configuraria prática abusiva adicional. Você pode registrar qualquer represália no PROCON e no consumidor.gov.br como reclamação separada.

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